Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

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    Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por Admin em Ter Abr 06, 2010 4:35 pm

    Atualmente, as pretensões artísticas de Miguel Falabella são muito mais autorais do que cênicas. Responsável pelo texto do seriado A Vida Alheia, ele não demonstra muita vontade de voltar a atuar desde que se despediu do malandro Mário Jorge, seu personagem no extinto Toma Lá, Dá Cá, programa que também ajudava a escrever.

    "Penso que tenho mais a contribuir para a TV com minhas ideias, já que elas não param de brotar em minha cabeça", descreveu, sem deixar de agradecer ao magnata Bill Gates, criador do sistema operacional Windows, por sua invenção.

    "O que eu faria sem aquelas janelinhas? Já perdi muitas oportunidades por ter sempre de parar algo no meio para fazer outra coisa e não ter como armazenar esse material. Agora, produzo mil coisas ao mesmo tempo", divertiu-se.

    Para ambientar seu novo programa, Miguel escolheu retratar o cotidiano da redação de uma revista de celebridades. Curiosamente, um tipo de publicação que o autor não suporta e, garante, não teve de ler para se inspirar. Na história, Alberta, interpretada por Cláudia Jimenez, é a editora que vive caçando escândalos para estampar nas capas. Esse, aliás, é o tema principal de cada episódio. "Mas todos eles estabelecem uma relação de continuidade com o capítulo seguinte. Já tenho até um final bolado, que encerra a primeira temporada e deixa espaço para, se houver o interesse, partir para uma segunda", explicou.
    A Vida Alheia discute a relação predatória entre celebridades e a imprensa especializada. E você já declarou não perder tempo lendo essas revistas. Passou a ler como material de pesquisa para a série?
    Que nada! Tantos livros bons para a gente consumir e eu vou me preocupar em pegar essas coisas? Só pego isso no salão de cabeleireiros, mas mesmo assim para ver as fotos, enquanto estou pintando os cabelos. Tive contato com jornalistas durante toda a minha vida, não preciso aprender mais nada sobre isso para escrever A Vida Alheia. Assim como alguns dos personagens, já tive meus problemas com a imprensa e sei o que algumas pessoas são capazes de fazer para vender mais.

    Foi desses problemas que surgiu a ideia de fazer um programa sobre isso?
    Pensei nisso durante um jantar com a Cláudia Gimenez no Leblon (Zona Sul do Rio), enquanto estávamos sendo fotografados por um paparazzo. Tem muito para criar nessa relação. Vivo presenciando cenas hilárias e completamente sem noção. Recentemente mesmo, no lançamento da peça A Gaiola das Loucas, que eu enceno com o Diogo Vilela, uma jornalista me perguntou quantas plásticas já fiz. Não é nada ofensivo, até porque mexi no nariz e nunca escondi isso de ninguém. Mas acho que não tem nada a ver questionar isso em uma coletiva de lançamento de um espetáculo teatral. O que passa na cabeça de uma criatura na hora em que ela abre uma entrevista coletiva com esse tipo de pergunta? Tomou uma que saiu até meio bamba.




    A maior parte das ideias usadas em seus textos costuma vir de experiências pessoais?
    Vem de tudo. Gosto de conversar com as pessoas. Dou trela para todo mundo. Sento no avião e puxo papo com quem está ao lado, ouço histórias maravilhosas nessas situações. Converso com qualquer pessoa, desde que seja interessante. Vendedoras, taxistas, garçons, todos são fontes de inspiração. Outro dia, na porta do teatro, veio um nordestino querendo tirar foto porque tem uma parede cheia de registros dele com artistas. A Cláudia Gimenez e a Betty Lago estavam passando de carro para me buscar e o cara ficou impressionado por ter visto nós três juntos. Não resisti e convidei ele para jantar com a gente. Nossa, o que nós rimos com essa criatura! E ficou nosso amigo! Chama-se Alano. Nos falamos pelo telefone sempre. Eu desenvolvi uma relação diferente com o público, mais aberta.

    O que você acha que determinou essa diferença?
    Fiquei 15 anos apresentando o Vídeo Show e isso contribuiu muito. Era uma relação afetuosa com o telespectador. Principalmente porque ali era eu, não tinha disfarce de personagem ou teatrinho em volta. Me considero um privilegiado porque hoje as pessoas passam por mim nas ruas e me cumprimentam, costumam sorrir. Juro para você. Então, o que mais posso pedir? Mas é claro que não posso esquecer do meu longo histórico de comédias, o que sempre cria essa espécie de intimidade do espectador com o artista. Por isso que o Vídeo Show foi tão gratificante, apesar das consequências.

    De quais consequências você fala?
    A gente paga um preço por tudo na vida. Durante o tempo em que fiquei à frente do Vídeo Show, virei muito mais uma personalidade do que um ator. Tudo tem o seu extrato. Hoje, tenho outras aspirações. E acho mesmo que escrevo bem, honestamente. E que a televisão precisa disso.

    Seus anseios como autor são maiores que como ator na TV?
    Sim, penso que posso contribuir muito escrevendo.

    Mas pensa em parar de atuar?
    Na TV, sim. Até já tenho um projeto de despedida. Na verdade, não gosto de falar dessa forma porque fica parecendo aquelas velhinhas que estão sempre dizendo tchau e nunca vão embora. Mas penso mesmo em parar. Quero fazer um último trabalho que já tenho na cabeça, escrito por mim, interpretando um suburbano que é dono de uma funerária. Eu e a Betty Lago. Chama-se Pé na Cova. Ela deve fazer a mulher dele, uma maquiadora que só trabalha com cadáveres. Cheguei a pensar em transformar em uma novela das sete, mas pensei bem e acho que cabe melhor na linha de shows.


    Essa sua falta de motivação aparente para escrever novelas tem relação com os resultados desanimadores de Negócio da China?
    Não. Já fiz muita coisa que não deu certo. Mas também já fiz muita coisa que deu. Ia ser muito chato se tudo desse sempre certo. Não teríamos o sabor do sucesso. Às vezes, quando não dá muito certo, é bom. Você precisa se redimensionar, tem de arrumar a casa. Acontecem muitas coisas legais no meio dos fracassos. As porradas não podem me jogar no chão, elas têm de me empurrar para frente. Eu sei quando escrevo uma coisa boa ou não.

    Na sua opinião, Negócio da China era uma boa novela ou não?
    Eu jamais poderia ter escrito uma novela das seis. Não é o meu mundo, o meu universo. Tenho um olhar crítico, sou das sete. Sou aquele que todo mundo processa, o politicamente incorreto. Mas Negócio da China começou muito bem, só sofreu com alguns problemas. Começou com o sequestro da menina Eloah, que foi transmitido ao vivo, além de eu não poder colocar as críticas sociais que eu uso. E depois ainda teve a saída do Fábio Assunção. Foi uma sucessão de imprevistos. Mas isso passa. Eu não arrasto cadáver. Enterro os meus mortos.

    Dedo solto
    Algo que agrada muito Miguel Falabella em A Vida Alheia é o horário de exibição da série. Como a maior parte de seus episódios vai ao ar depois das 23 horas, a liberdade para usar expressões mais críticas e situações politicamente incorretas é bem maior. "Graças a Deus é bem tarde. Além da questão do horário, o público nessa faixa é diferenciado. Hoje em dia temos um problema sério de construção gramatical. Se você adota uma mais elaborada, o povo não chega lá. Tá feia a coisa!", criticou.

    A satisfação de Miguel com essa faixa tem fundamento. O autor já viu algumas de suas obras sofrerem processos judiciais no passado. Isso porque alguns de seus personagens abordavam questões sociais de uma forma bem humorada e, ao mesmo tempo, arisca. "Acho que isso é bom porque é sinal de que, pelo menos, eu incomodo. Não fico na mesmice total. É bom mexer com as pessoas de vez em quando", confessou com ar irônico.

    Sem parar
    Para quem tinha a vida organizada para trilhar uma carreira de diplomata, Miguel Falabella surpreende em sua trajetória profissional. Depois de muitos anos dedicados ao teatro - "Não sou tão bom com números e datas", desconversou rindo -, aos 24 anos já tinha o rosto estampado na TV. Participou de novelas como Sol de Verão, Amor com Amor se Paga e Livre para Voar, na Globo, antes de explorar o que aprendeu no curso de Letras se aventurando nas palavras ao escrever o seriado Tamanho Família, para a Manchete - embora não tenha finalizado o projeto. Saiu a tempo de voltar para a Globo e emplacar um sucesso atuando em Selva de Pedra. Emendou o trabalho com uma vaga na direção de Sassaricando. "Sempre fui inquieto. Não consigo pensar em fazer uma coisa apenas. Só pode ser algum distúrbio", divertiu-se.

    Mesmo assim, foi como apresentador do Vídeo Show durante 15 anos e nos seriados de comédia que Miguel ficou mais conhecido. Só no sitcom Sai de Baixo, bateu ponto por seis anos, entre 1996 e 2002, além dos três últimos dedicados ao também extinto Toma Lá, Dá Cá. De certa forma, um respiro para as três novelas que escreveu. A primeira, Salsa e Merengue, em 1996, coincidia com o sucesso estrondoso que o humorístico Sai de Baixo fez em seu primeiro ano. Já a segunda, A Lua Me Disse, em 2005, aconteceu bem no meio do intervalo entre as duas produções. E, por último, Negócio da China, em 2008, que não se saiu muito bem e fez Miguel se dividir entre os scripts de seu folhetim e o texto e seu personagem em Toma Lá, Dá Cá. "Brinco com as coisas. A única graça de subir no salto é poder cair dele. É isso ou então você vira um busto, vive na chatice", analisou.


    Trajetória televisiva
    Sol de Verão (Globo, 1982) - Romeu.
    Amor com Amor Se Paga (Globo, 1984) - Renato.
    Livre para Voar (Globo, 1984) - Sérgio.
    Tamanho Família (Manchete, 1985) - Autor.
    Selva de Pedra (Globo, 1986) - Miro.
    Sassaricando (Globo, 1987) - Diretor.
    Vídeo Show (Globo, 1987 - 2001) - Apresentador.
    O Outro (Globo, 1988) - João Silvério.
    Tieta (Globo, 1989) - Miguel.
    Mico Preto (Globo, 1990) - José Luiz Menezes Garcia.
    As Noivas de Copacabana (Globo, 1992) - Donato Menezes.
    A Viagem (Globo, 1994) - Raul.
    Cara e Coroa (Globo, 1995) - Mauro.
    Salsa e Merengue (Globo, 1996) - Autor.
    Sai de Baixo (Globo, 1996 - 2002) - Caco Antibes e também Autor.
    Agora É Que São Elas (Globo, 2003) - Juca Tigre.
    A Lua Me Disse (Globo, 2005) - Autor.
    Toma Lá, Dá Cá (Globo, 2007) - Autor e intérprete do Mário Jorge.
    Negócio da China (Globo, 2008) - Autor.
    Vida Alheia (Globo, 2010) - Autor.
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    Re: Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por Aline Falcão em Qua Abr 07, 2010 11:41 pm

    Eh ate melhor mesmo que ele nao atue, que apenas participe de alguns especiais pra nao resolver do nada cancelar porque ta cansada ou sei la o que.


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    Re: Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por KatherineB em Sex Abr 09, 2010 7:28 pm

    Oi gente!
    Pra quem nao conhece, eu sou a Katherine, a irma do Kev....ele me fez entrar aqui, mesmo eu nao assistindo muito toma la da ca...

    _____

    Que pena o miguel nao querer atuar. Nos tempos do sai de baixo ele era tao bom...
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    Re: Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por Admin em Sex Abr 09, 2010 8:59 pm

    Oi, Katherine
    Tudo Bom? Very Happy
    Seja bem vinda ao fórum.


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    Re: Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por KatherineB em Sab Abr 10, 2010 10:16 am

    Oi, admin!
    Obrigada!
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    Re: Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por magalhaes.andre em Sab Abr 10, 2010 10:41 am

    Ainda bem que ele preferiu não transformar em novela das sete o "Pé na Cova". Os seriados dele possuem mais repercussões.
    ____

    É uma pena ele tomar uma decisão dessas. Sad
    ____

    Seja bem vinda, Katerine. Wink
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    Re: Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por PMatos em Sab Abr 10, 2010 3:26 pm

    Negócio da China nem tanto, eu acho, mas Salsa e Merengue e A Lua Me Disse eu sei que foram ótimas tramas. Acho que o Miguel poderia superar esse fracasso de NDC e voltar às novelas. Eu adoraria, até pelo fato de ele sempre trabalhar com um certo elenco...

    Pé Na Cova promete ser bom Smile
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    Re: Em 'A Vida Alheia', Miguel Falabella prefere não atuar

    Mensagem por Francelle Morgan em Dom Abr 11, 2010 1:14 am

    Concordo contigo PMatos....XD
    Foi só a NDC q não foi lááá um sucesso,mas A Lua Me Disse foi muuuuito booa....XD
    Pena eu não ter assistido Salsa e Merenge,mas eu sempre escutei falar muito bem dessa novela tbm...XD
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    AAhh drooga...eu adoro quando ele atua...=/
    Saudaades do Mário Jorge...³³³


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