Miguel Falabella: "Quero ser lembrado como alguém que não teve medo do sucesso"

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    Miguel Falabella: "Quero ser lembrado como alguém que não teve medo do sucesso"

    Mensagem por PMatos em Ter Jan 04, 2011 10:24 am


    Actor e autor brasileiro de renome, prepara-se para escrever uma nova novela para a TV Globo, que deverá estrear-se no segundo semestre deste ano. Defende a 'sua' novela 'Negócio da China', que passa na SIC, e critica os responsáveis da estação pelos constantes cortes na trama.

    Negócio da China, actualmente em exibição na SIC, foi a última novela que escreveu. Como avalia este projecto?

    A novela é boa, é uma história encantadora. O núcleo português foi um grande êxito, os actores ganharam prémios e tudo.

    Mas as audiências nem sempre reflectiram esse êxito...

    Tivemos um problema no Brasil com a saída do Fábio Assunção e um outro problema ainda maior. Nós estreámo-nos e no terceiro dia houve uma rapariga que foi raptada pelo namorado e aquilo tornou- -se numa tragédia nacional. Nesses quinze dias não se falava noutra coisa e a novela era constantemente interrompida com noticiários. Isso prejudicou-nos muito porque foi no arranque da novela. Mas tivemos uma média de 29 pontos no Ibope no horário das seis da tarde...

    Não lhe agrada esse horário?

    Eu não sou um autor das seis, sou muito mordaz, muito crítico. Se Negócio da China tivesse sido transmitido às sete horas, tinha sido um êxito retumbante. Eu avisei, disse que não era autor das seis, tenho um olhar mais crítico. Numa novela das seis não se pode fumar em cena ou beber cerveja porque ainda apanha um público infantil. Às sete já se permitem algumas coisas e às oito já se pode fazer quase tudo. Os beijos têm doze segundos, não podem ter mais do que isso.

    No Brasil, a novela estreou-se em Outubro de 2008, mas só em 2010 é que começou a ser vista em Portugal, na SIC...

    A ser vista aos saltos, porque eles cortam tudo. Nunca vi uma coisa assim, jamais vou entender. Porque é que alguém compra um produto para a seguir o retalhar? Como é que um produto que tem 40 minutos passa a ter só 20? Se eles tiram uma cena onde alguém diz "Eu te amo", os espectadores não conseguem perceber o beijo entre duas personagens.

    Ficou desiludido?

    Dá muito trabalho escrever uma novela porque cada capítulo tem de terminar com um gancho. O episódio tem de fechar com aquela vontade de quero mais. Dá muito trabalho pensar num gancho, o de sexta-feira tem de ser mais forte por causa do fim-de-semana. Mas em Portugal termina de qualquer maneira...


    Vai fazer alguma reclamação?

    Não. A obra já não é minha, é da TV Globo.

    O núcleo português segue o estereótipo de um povo em que a mulher se veste de preto e o homem tem bigode. Porque não optou por um Portugal mais moderno?

    A personagem da Maria Vieira foi um êxito e existem mulheres assim em Portugal, sim. Se sairmos agora daqui e formos para a alfândega, vamos ver uma portuguesa parada com enchidos na mão. São esses portugueses, os emigrantes, que existem no Brasil. É essa a realidade que os brasileiros conhecem. Os brasileiros agarravam os actores portugueses na rua, davam beijos. Foi um êxito, não vale a pena discutir.

    É um actor e autor ligado à comédia. Como é que a define?

    A comédia é um privilégio porque as pessoas olham para mim na rua e abrem um sorriso. Isso é um presente de Deus. Os portugueses falam menos, mas os brasileiros é um inferno, ficam alucinados. Tenho um clássico da comédia que é a série Sai de baixo, e até hoje o Caco Antibes é lembrado. Há tempos fui a Angola com a Teresa Guilherme e todos falavam dele. Ficou eternizado. Também estive em Budapeste e encontrei portugueses e todos vieram falar comigo.

    Já sentiu vontade de desistir da carreira?

    Tinha um director que era comunista e tinha raiva de mim porque eu era divertido e muito sincero. Um dia estava no camarim, era a minha primeira peça. E ele disse: "Não perca o seu tempo, você não tem talento. Desista desta carreira!" Eu fiquei muito mal, triste, e não saí com o elenco. Então entrou o Domingos de Oliveira [actor brasileiro] e disse: "Você tem uma coisa que prende o olho do espectador. Você entrou em cena e o meu olho parou em você." O Domingos, sem querer, mudou a minha vida, porque naquele momento eu pensei desistir. Uma palavra bem dita na hora certa pode mudar a sua vida.


    Quais são os projectos em televisão que tem programados para 2011?

    Vou dirigir uma nova novela para a Globo que vai chamar-se Um Mundo Melhor, é uma comédia sobre a intolerância. Já entreguei a pré-sinopse, as gravações começam em Abril. A Globo pediu que eu fizesse esta novela porque estava a precisar de uma boa comédia para o horário das sete. Depois vou escrever e participar numa série no final do ano. Vai chamar-se Pé na Cova e será feita nos moldes do Toma lá, Dá cá. Vou interpretar o dono de uma funerária de um subúrbio carioca. A minha esposa será uma maquilhadora de cadáveres.

    Como é que gostaria de ser lembrado pelo público?

    Como alguém que não teve medo do sucesso, que fez sucesso de cabeça erguida e acreditou no sucesso. Eu emprego muita gente. Há muitas famílias que comem graças a mim. Isso é maravilhoso. O sucesso gera trabalho e auto-estima, é um ciclo.



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    Re: Miguel Falabella: "Quero ser lembrado como alguém que não teve medo do sucesso"

    Mensagem por Admin em Ter Jan 04, 2011 12:59 pm

    Achei que Pé na cova não seria sitcom como toma lá dá cá e sim ao estilo de 'Separação'. ._.


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